Arquivos crise - Associação dos Agentes Penitenciários da Paraíba

Tags: ,

VIRGOLINO TEM RAZÃO SOBRE A CRISE PRISIONAL

Em matéria publicada no jornal O GLOBO desta terça, dia 10 de janeiro de 2017, o atual secretário de  Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte e ex secretário da Administração Penitenciária da Paraíba, Wallber Virgolino, cobrou que os agentes penitenciário sejam ouvidos no atual cenário de crise, chegando a usar a seguinte expressão “falar de tourada é fácil, quero ver é lutar com o boi na arena. Se fosse fácil, qualquer um fazia”.
 

Com a atual crise vimos por todo o Brasil muitos “especialistas” externando diversas opiniões sobre o problema, o Ministro da Justiça convocou reunião para os próximos dias com secretários de segurança pública no intuito de tratar sobre o caos já instalado em nosso país. Em nenhum momento  foram convidadas  as Entidades(sindicatos, associações e federações) para o debate, isso demonstra, pelo menos a princípio, que as possíveis soluções não passarão pelo crivo de quem realmente conhece de sistema penitenciário, temos a impressão que na verdade os governos estão querendo maquiar uma bomba que está prestes a explodir.
 

Uma mobilização com uma possível paralisação dos agentes penitenciários de todo o país já se ensaia, presidente Michel Temer, nos chame ao diálogo, a PEC 308 e agora também a 14/2016 do senador Cássio Cunha Lima que transformam os agentes em policia penal, já tramitam há muito tempo no congresso e ao que parece é a nossa maior reivindicação, não onera o Estado, trazendo consigo reconhecimento constitucional a esses profissionais. É fundamental estarmos atentos, pois é impossível melhorar o SISPEN se não valorizar e melhorar as condições de trabalho dos profissionais que colocam a mão no “boi”.

 

Marcelo Gervásio
Presidente Executivo
AGEPEN-PB

A VERDADE SOBRE A CRISE NO SISTEMA PENITENCIÁRIO

Vejo um tremendo jogo de ” Empurra” de responsabilidades entre o governo do Amazonas e o governo Federal. Ficou nítida a omissão diante dos alertas sobre essa crise, que foi desencadeada no Amazonas e Roraima.
 

De um lado o Ministro Alexandre Moraes e do outro os estados, que tem opniões divergentes em relação aos massacres. O governo federal não pode dizer que não teve ciência e que não recebeu os relatórios de inteligência, sobre as movimentações das facções criminosas que disputam o controle dentro dos presídios.
 

E o pior, é negar que não foi briga de facções. Eu trabalho dentro da área como Coordenador Operacional do GPOE, onde atuei diretamente em diversas rebeliões e sei que a maioria delas, foi por conta de disputa entre facções.
 

É notório,  os diversos vídeos que circulam com os presos das facções comemorando as execuções dos rivais, durante as rebeliões no Amazonas e Roraima, mesmo assim, os governos negam que seja uma briga de facções.
 

Sempre se fala em modernizar e equipar os sistemas prisionais, mas isso só se coloca em prática mediante uma crise. A ficha do governo federal deveria cair e inserir os Sistemas prisionais como forças segurança pública e com isso, a criação das polícias Penais estaduais e federal, dando maior autonomia,  treinamento e poder de polícia aos Agentes Penitenciários.

 

Dinamerico Cardim
Coordenador Operacional GPOE-PB
Especialista em Segurança Pública

O CAOS IMINENTE NO SISTEMA PENITENCIÁRIO DA PARAÍBA

Ontem, dia 03 de janeiro de 2017, no Jornal O Globo foi divulgado uma matéria na qual o próprio Ministro da Justiça alerta sobre uma onda de rebeliões no Sistema Penitenciário da Paraíba, esta Entidade vem advertindo a sociedade paraibana a algum tempo sobre essa realidade, segundo o referido jornal, se daria por conta de facções rivais em busca de controle sobre a cocaína que vem do nosso país vizinho, o Peru.
 

O baixo efetivo de agentes penitenciários é um fator de extrema preocupação nesta equação, temos hoje alguns dos nossos presídios funcionando em condições subumanas de “hiper lotação”, pasmem os senhores, mas Unidades Prisionais como o Silvio Porto e o “Roger” funcionam com uma proporção media de 120 privados de liberdade para cada agente penitenciário no plantão, onde o recomendado seria no máximo 20 presos por agente público.
 

Outro fator que nos preocupa é a desvalorização dos profissionais agentes penitenciários, levantamentos feitos dão conta de que o Estado da Paraíba para os piores salários base do Brasil aos seus agentes de segurança penitenciária e a segunda pior remuneração total da categoria no país. A insatisfação é geral e isso ajuda em muito a criar um ambiente de caos, o Governador precisa abrir o diálogo com o sistema penitenciário, a sociedade precisa saber do que realmente se passa intramuros dos presídios. Nos últimos seis anos o nosso salário se defasou, nosso efetivo diminuiu, a moral da “tropa” está em baixa e não enxergamos perspectiva de melhoras em curto prazo, só as facções cresceram e estão cada vez mais organizadas.

 

Marcelo Gervásio
Presidente Executivo
AGEPEN-PB