A mulher e o sistema penitenciário no Brasil

A mulher e o sistema penitenciário no Brasil
abril 12 11:09 2016

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, a profissão de Agente de Segurança Penitenciário é a segunda mais perigosa do mundo ficando atrás apenas da profissão de minerador. É uma profissão estressante, perigosa. Um trabalho de tensão total, exigindo um alto nível de atenção e controle emocional do profissional que está exposto a toda e
qualquer mazela, seja ela social ou de saúde.

No Brasil, temos mais de 65 mil Agentes Penitenciários incumbidos da custódia e controle de aproximadamente 500 mil detentos. Parece muito, mas de acordo com o Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias, o ideal seria 01 ASP para cada 05 detentos, ou seja, deveríamos ter um efetivo de, no mínimo, 100 mil Agentes Penitenciários a fim de garantir a sua segurança, a do detento e o bom andamento do serviço. Todavia, o trabalho do ASP não se resume só à custódia dos detentos, vai além, engloba todo o universo deles, pois tem que saber lidar com os parentes dos detentos, ser enérgico quando necessário para a manutenção da ordem e disciplina na unidade prisional, possuir uma conduta moral ilibada e não ceder as tentativas de corrupção e assédio dos presos, e está preparado para as inúmeras intempéries que acontecem.

É uma profissão que exige, acima de tudo, coragem e serenidade. Um serviço para poucos e, como se diz aqui no sertão, trabalho de “cabra macho!”.

Trabalho de “cabra macho”? E as mulheres como ficam nessa profissão?

Como um sexo tido como frágil é capaz de suportar tal carga emocional? Será que elas desempenham seu serviço de forma eficaz? Elas têm perfil para um trabalho tão complexo?

A resposta é sim!

Sabedoras dos riscos e expostas a todo tipo de situações, essas profissionais superam a cada plantão os seus próprios medos e limitações, sempre procurando exercer seu papel com maestria e mostrando que, apesar de estarem em um ambiente predominantemente masculino, sua presença se faz necessária e que seu trabalho não é menos importante que dos colegas de farda.

Não são o “sexo frágil”, não são menos profissionais que os outros, ao contrário, estão ali para somar, pois independente do sexo, nenhum profissional é melhor ou seu trabalho é mais importante que do outro, às vezes divergem nas atribuições, mas todos têm o mesmo intuito que é manter a ordem nas unidades
prisionais e preservar vidas.

Há aqueles que acreditam que as agentes não têm uma função significativa no sistema prisional, ledo engano, pois exercem um papel fundamental nas unidades prisionais, visto que, é através do trabalho delas que se coibi parte a entrada de materiais ilícitos, como celulares e drogas, introduzidos nas partes íntimas das visitantes. Materiais estes que seriam impossíveis de serem detectados pelos agentes, devido ao local e impossibilidade de revista.

Sendo assim, elas também ficam expostas a todo tipo de situação, pois lidam com a parte mais “delicada” do universo dos detentos, seus familiares, que geralmente são pessoas fragilizadas emocionalmente e que demandam um tratamento mais airoso, mais humano e acolhedor.

Então não custa nada lembrar: lugar de mulher é onde ela quiser!

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